Frontispício

Your awesome Tagline

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Morre o ator Wagner Moura

Famoso no papel de Capitão Nascimento na série Tropa de Elite, o premiado ator faleceu hoje, aos 35 anos, em São Paulo. Acometido por uma rara doença degenerativa que ataca faculdades mentais, o ator juntou-se aos outros 2/3 da banda Legião Urbana, num tributo realizado ontem e transmitido ao vivo pela emissora MTV, segundo médicos explicável somente pelo estado avançado da doença.

O ator, que outrora interpretou Hamlet nos palcos, deixa esposa e dois filhos.

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Whore Walk

http://jezebel.uol.com.br/postar-foto-com-os-peitos-de-fora-e-ativismo-para-ela-mas-para-o-facebook-e-pecado-capital/

Atualmente, o Facebook autoriza a postagem de fotos contendo nu feminino ou partes de corpo de mulheres somente em dois casos: se a imagem tiver caráter artístico ou se retratar amamentação.

Quem se importa, certo?

Certo?

“Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.”

É claro que alguém se importa. Essa é a internet, afinal de contas. Tudo que acontece aqui tem ramificações políticas, e se você não enxerga um problema, é porque, bem, você é parte dele. Provavelmente, ele se resume a você e nada mais. O mundo seria um lugar bem melhor se pessoas como você fossem enterradas vivas.

Mandar o Zuckerberg ler mais sobre questões sócio-políticas soaria patético no final de uma redação escolar, mas felizmente no jornalismo esse tipo de coisa não acontece. Você também nunca entregaria para sua professora uma redação intitulada “Por dentro da brigada anti pornografia e violência do Facebook, onde um “capô de fusca” é mais ofensivo do que uma cabeça esmagada”.

Parece que esse é o tom empregado em tudo quando o assunto abordado é feminismo (se é que é esse o caso, estou confuso). É preciso ser emotivo e catártico. Claro que esse assunto deve evocar muita emoção, mas essa aversão completa ao pragmatismo—simplesmente não entendo como atinge o efeito desejado. Confesso que não aprecio a marcha, embora não me veja indo no sentido contrário. Vejo que muitos participantes acham que sabem pelo que estão protestando, mas não vejo coerência. Se a marcha funciona como uma espécie de terapia do grito primal coletiva, fantástico. Se querem convencer ou “convidar ao diálogo”—em geral, recomendo recusar convites daqueles que te odeiam—, precisam parar de pregar para os convertidos.

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The Holy Bible

Este é um dos meus discos favoritos—possivelmente a obra-prima do Manic Street Preachers—, mas é também um dos mais difíceis de apreciar. Quase todas as músicas são pesadas (não exatamente rock paulêra a la Slayer) e pouco radio-friendly. (Fico surpreso em saber que foram extraídos 3 singles desse disco—mais ainda que um deles alcançou o Top 20 britânico.) A estrutura pouco convencional das músicas (uma mistura de punk com post-rock), os excertos obscuros entre as canções, a fina camada de produção—claramente deliberada—que às vezes assemelha o disco a uma demo tape e, não menos, a arte grotesca (a capa é uma pintura de Jenny Saville) e as letras, enterradas num sotaque incompreensível, em gritos ou em uma prosódia peculiar, tudo parece tornar a coisa toda ainda mais impalatável. É como se toda a controvérsia que cerca a concepção do álbum fosse inescapável até ao ouvido mais desatento.

Por que, então, insisti em ouvir esse disco até aprender a apreciá-lo?

O primeiro disco do Manics que ouvi foi This Is My Truth Tell Me Yours, infinitamente mais polido e pop do que este pedrugulho a que eles chamaram de Holy Bible. O som era imediato. Nesse disco estão alguns dos maiores hits da banda e, com ele, consolidaram-se como uma das grandes bandas do Reino Unido (sempre foram ignorados fora da Europa, especialmente nos EUA). Mas era também o primeiro disco sem qualquer participação do mentor da banda, Richey Edwards, desaparecido desde 1995, quando sumiu prestes a embarcar para os Estados Unidos para promover The Holy Bible. Com a promoção do disco suspensa, estava suspenso também qualquer impacto que o grupo, claramente no seu auge, pudesse causar nas plateias americanas. Ou talvez esse impacto já tivesse sido abortado tempos antes com as constantes críticas ao imperialismo norte-americano presentes em todos os álbuns/EPs/singles/panfletos/qualquer coisa lançados pelo MSP até aqui. Nunca saberemos. Assim como, aparentemente, nunca saberemos o destino de Richey, nunca encontrado e declarado oficialmente morto em 2008.

Richey praticamente não tocava sua Fender Telecaster. Em muitos shows, seu instrumento permanecia desligado para que ele não atrapalhasse o restante da banda. Entretanto, sua contribuição como alma da banda não pode ser diminuída. Adicionado a entourage por último, sua inaptidão musical sempre fez parte do contrato, assim como o seu papel como letrista e “frontman”. No caso de The Holy Bible, estima-se que ele escreveu cerca de 80% das letras. O que remete ao modus operandi pouco comum do grupo: as letras são escritas antes das músicas, e só depois adaptadas pelos primos James Bradfield/Sean Moore—que juram nunca terem tido problema em colocar em versos as frases longuíssimas e prolixas redigidas pela outra metade do grupo, Nicky Wire e Richey Edwards.

Em THB, as letras variam entre ininteligíveis e muito inteligentes (às vezes demais, com toda a pretensão do garoto nerd que escreve redações escolares para ganhar o Pulitzer). Edwards, graduado em História Política, supostamente estava lendo sete livros por semana no período de composição das letras do disco (gostaria de saber quais livros) e seu estado mental instável culminou na sua internação em hospitais psiquiátricos. Com a probabilidade a meu favor, separei alguns trechos de letras que imagino terem sido escritas por ele:

And in these plagued streets of pity you can buy anything
For £200 anyone can conceive a God on video
He’s a boy, you want a girl so tear off his cock
Tie his hair in bunches, fuck him, call him Rita if you want

(Yes)

Mussolini hangs from a butcher’s hook
Hitler reprised in the worm of your soul
Horthy’s corpse screened to a million
Tisu revived, the horror of a bullfight

(Of Walking Abortion)

Execution needed
A bloody vessel for your peace
If man makes death then death makes man
Tear the torso with horses and chains
Killers view themselves like they view the world
They pick at the holes
Not punish less, rise the pain
Sterilise rapists, all I preach is extinction

(Archives Of Pain)

Wherever you go I will be carcass
Whatever you see will be rotting flesh
Humanity recovered glittering etiquette
Answers her crimes with Mausoleum rent

(Mausoleum)

The hole in my life even stains the soil
My heart shrinks to barely a pulse
A tiny animal curled into a quarter circle
If you really care wash the feet of a beggar

(Die In The Summertime)

Self-worth scatters, self-esteem’s a bore
I long since moved to a higher plateau
This discipline’s so rare so please applaud
Just look at the fat scum who pamper me so

(4st. 7lbs.)

Não é exatamente o que você encontra nos discos do Franz Ferdinand.

As músicas que acompanham estas letras são devidamente apropriadas (o que seus amigos chamariam de “pra baixo”—se você tem os amigos certos), e o clima do disco não poderia ser menos otimista. Se você tem dúvidas quanto ao teor da obra, lembre-se que o desfecho da história é o suicídio de um dos principais envolvidos em sua criação.

Mas respondendo à pergunta que suscitei mais cedo: é claro que é uma pergunta sem resposta certa, mas posso arriscar. Apesar da dificuldade inerente à apreciação total do disco, há um charme presente em tudo que o MSP já fez e que, aqui, é ainda mais evidente. Há tantas referências—e, graças à inteligência média dos envolvidos, vai além do namedropping—, que parte da graça está em desvendar sobre o que estão falando (trabalho que, sem dúvida, foi facilitado com a invenção da Wikipedia). O que torna o trabalho do MSP tão único e interessante é a possibilidade de descobrir outras coisas interessantes (como Jenny Saville, por exemplo).

Obviamente que, para mim, hoje a música em The Holy Bible tem sustentação própria. Gosto de como ela soa e gosto da estética que música e letra formam. “The Intense Humming Of Evil” ainda é uma das coisas mais surpreendentes e horripilantes que já ouvi. Não conheço nada parecido e com essa profundidade.

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Gatos

Afinal, gatos tem 7 ou 9 vidas? Estou pensando em adotar um ou dois, mas preciso de mais detalhes quanto ao tempo de duração.

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Mogwai

No último fim de semana, fui ao festival Sónar para ver Mogwai e, tudo que realmente posso dizer que vi, entre as várias atrações disponíveis, foi Mogwai. A maior parte das outras atrações eu não conhecia e, de longe, consistia em DJs fazendo versões (estragando) músicas que eu conhecia. Tudo bem, justiça seja feita, é um gênero que eu não aprecio e/ou compreendo.

Quanto ao Mogwai, aparentemente, sou uma das poucas pessoas que tem qualquer ressalva quanto ao show. Na verdade, tenho várias ressalvas, algumas que nada tem a ver com a banda.

Achei o show curto (cerca de uma hora) para uma banda que tem músicas que duram, em média, 5/6 minutos. (Admito que tirei essa estatística da bunda, mas há de estar próxima da verdade.) Ao mesmo tempo, não via a hora da coisa terminar. Talvez porque estivesse de saco cheio das músicas escolhidas (em geral, material dos discos mais recentes), talvez porque tivesse passado o show em pé quando poderia ter assistido a ele confortavelmente sentado (não o fiz por pressão dos meus amigos—passei o show sentado em pé, de braços cruzados, como depois comentou uma amiga). Talvez porque me sinto velho demais pra isso, velho como não estava quando os assisti pela primeira vez em 2002, matando aula no colégio, sem ter a menor ideia do que estava prestes a assistir.

O show de 2002 foi glorioso, alto e entediante—como todas as boas experiências que tive na vida, não foi perfeito do começo ao fim. Mas pareceu-me mais sincero. Eu odeio a palavra “sinceridade” usada a esmo como fiz aqui, mas é a única maneira que conheço de descrever a coisa toda.

Assim como eu, há 10 anos, o teatro estava cheio de gente que não sabia o que esperar. Frequentadores do SESC, idosos, prostitutas de folga, toda sorte de gente sentada para ouvir música. Alguns hipsters se empolgaram—presumo—e foram até a boca do palco fazer air guitar. Não me incomodaram [muito], porque a maioria estava ali com a mesma intenção que eu. Isto é, simplesmente ouvir música, sem afetação.

Talvez seja nostalgia barata, mas sinto falta disso. O show do Sónar foi pontuado por palmas—comentei com um amigo que brasileiro adora bater palma quando surge um momento mais silencioso, e uma garota com cabelo sujo e seboso respondeu com certo orgulho que realmente adorava fazer isso—, gritos e pedidos de música, como qualquer show grande.

Também sinto pena (talvez não seja esse o termo correto, não se trata de um sentimento tão cristão assim) das pessoas que tentaram aprimorar a experiência com qualquer tipo de psicotrópico. Acredito que a música boa, e esse é o caso do Mogwai, consiga sustentar a si mesmo, sem trapaças. Claro que soo que como um velho de 70 anos ao dizer isso, mas apelo à juventude nunca foi o meu forte.

Por fim, nunca fui tão bombardeado com propaganda. Nem sei dizer quantos patrocinadores tinha o festival, mas aparentemente não conseguiria contar em uma mão. Um dia paguei uns R$ 10 para assistir Mogwai por duas horas, e nem me lembro o nome de nenhuma marca (se havia). Dessa vez, paguei dez vezes esse preço (meia entrada) para assistir a um pocket show da Doritos. Pode parecer besteira e um preço aceitável para ver os artistas de perto, mas isso também me enche de nostalgia. 

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Logical one-liner

Imagine que você acorda e não sabe onde está. Como saber se você está em São Paulo? Identifique se há alguém nas proximidades que atende por ‘Ceará’.

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Esse é o meu clipe favorito e eu nem tenho certeza do porquê. Tentarei explicar.

É incrível como som e imagem se casam aqui. O vídeo retrata exatamente o que a letra descreve—um recurso muito usado por alunos do ensino fundamental (que geralmente resulta em boas notas). A redenção vem na maneira como a essência do vídeo revela a música. (Essa música não existe sem esse vídeo. Baixei o mp3 e sem as imagens tudo que ouvi foi cacofonia.) Repare que a estrutura (que segue basicamente o mesmo princípio do sofisticado copo retrátil) em que os Juggalos estão se expande conforme a canção traz ao primeiro plano novos elementos e culmina num solo que o próprio Eddie Hazel psicografou e um beatbox-peidado que estragaria qualquer outra música/experiência, mas que se aplica perfeitamente nesse caso. Muito foi dito sobre a letra dessa música, mas isso é polêmica para a eternidade e, francamente, ninharia. Cataratas do Niágara, pelicanos que roubam celulares, ímãs… a vida é mágica.

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Benvindoz*

Sinto que cabe aqui escrever um texto inaugural para este blog, mas claramente me falta a aptidão, então eis o velho truque do texto inaugural sobre a incapacidade de se expressar SENDO ABORTADO


*correto conforme o novo acordo ortográfico